quarta-feira, 18 de abril de 2012

Jornada Pinholeday Belém 2012


No dia 29 de abril, a Associação Fotoativa promoverá a Jornada Pinholeday Belém 2012, e mantendo a participação e o destaque mundial que já possui no projeto, terá também uma programação de oficinas preparatórias antecedendo a Jornada.

O Worldwide Pinhole Photography Day é um evento internacional, que promove e celebra a fotografia pinhole. 

Eu participarei da programação da Fotoativa, ministrando em parceria com a fotografa Irene Almeida a oficina de mini-pinhole. Iremos trabalhar a produção de imagens em pequenas câmeras artesanais, fazendo com que o participante experimente um olhar diferenciado na produção fotográfica.
Robert pela caixinha de fósforo, 2011 - Foto: Deborah Cabral
A Jornada Pinhole Day Belém 2012 acontece no dia 29 de abril (domingo), no Fórum Landi (Praça do Carmo), de 09:00 às 16:00 h. É aberta a todos os públicos a partir dos 10 anos de idade, com taxa de participação de R$10,00 (liberada para quem tiver feito qualquer uma das oficinas preparatórias).

As inscrições para as oficinas devem ser feitas na sede da Fotoativa no Largo das Mercês, 19. Telefone: 3225-2754 (horário comercial).


segunda-feira, 2 de abril de 2012

Intervenção urbana reflete a ditadura militar em Belém 48 anos depois


Casa do Estudante CEUP - Foto: Michel Pinho

Há quarenta e oito anos a cidade Belém também sofria as consequências do golpe militar iniciado em Minas Gerais. O General Ramagem, Chefe do Comando Militar da Amazônia na época, ordenou a prisão de centenas de políticos, estudantes e trabalhadores a partir do dia primeiro de abril de 1964. Os presos foram levados para diversos pontos de Belém que hoje estão desativados ou tem finalidade completamente diferente, como é o exemplo da Casa das Onze Janelas, que atualmente é ponto turístico da capital.

Esse quadro de violência e censura caiu no esquecimento. Para alertar sobre o grave processo político estabelecido pós-64, o historiador e fotógrafo Michel Pinho interviu no espaço urbano, identificando com placas que imitam sinalização de trânsito os locais onde as prisões e torturas eram executadas. A escolha do 1º de abril, Dia da Mentira, não foi por brincadeira, ela é a data verdadeira do aniversário de 48 anos do golpe.

Sua intervenção foi um grito em protesto contra o terror dos assassinos e torturadores da ditadura em Belém, e buscou alertar para o caráter ditatorial e ilegal do regime implantado no país inteiro. “Não podemos e nem devemos esquecer, a democracia brasileira é uma conquista recente. Os crimes que os agentes do Estado cometeram como estupro, sequestros seguidos de morte e ocultação de cadáveres são hediondos. A anistia foi promulgada em 1979 pelo general Figueiredo e impede a prisão desses homens. Temos que rever essa decisão”, sentencia Michel.

Casa das Onze Janelas  - Foto: Michel Pinho
 Embora o registro fotográfico tenha se limitado apenas a lugares mais conhecidos como a Casa das Onze Janelas, Largo da Trindade, Casa do Estudante Universitário do Pará, além das avenidas Nazaré e José Malcher, os centros de tortura e prisão na capital paraense foram mais numerosos.

Até hoje não há a versão correta da história e da natureza ditatorial do regime de 1964, seu caráter ilegal e inconstitucional pouco são mencionados, e sua atuação em Belém pouco foi refletida ou questionada nesses 48 anos completados. “A intenção é motivar que os leitores da ação busquem informações, perguntem sobre o silêncio ensurdecedor sobre a ditadura em Belém do Pará.” finaliza o historiador.

A intervenção foi registrada e parte das fotografias pode ser vistas no endereço: http://www.michelpinho.com.br/territorio-do-medo-a-ditadura-militar-em-belem/

Texto: Deborah Cabral