segunda-feira, 18 de junho de 2012

Cosplay em Belém: Entrevista com Vivian Nery


Foto: Inácio Borges
Representando o Pará no concurso Sul-Americano Cosplay Idol do Otaku House, a jornalista Vivian Nery bateu um papo com o blog sobre mercado e referências Cosplay em Belém. 

Jornaleco: Há quanto tempo você é Cosplayer?
Vivian: Sou cosplayer pra valer desde 2004, quando eu mesma procurei fazer minha roupa de cosplay, ir atrás de imagens de referência que mostrassem bem os detalhes da roupa, tecidos, sapatos, costureira, essas coisas. Mas eu usei cosplay pela primeira vez mesmo quando tinha nove anos de idade. Na época, minha irmã que arrumou toda a roupa e me levou ao evento. Infelizmente nem tenho fotos desse momento épico da minha vida, pois como filmes para câmera eram caros, nem sempre tínhamos dinheiro para comprar e revelar. Mas foi desde esse momento da minha infância que me apaixonei pelo cosplay.


Jornaleco: Como é a cultura cosplay em Belém?
Vivian: Acompanho a cultura cosplay de Belém desde quando cheguei à cidade, em 1999. Como deu para perceber na minha resposta da pergunta anterior, desde pequena vou a eventos de anime, mangá e relacionados, daí fui em quase todos daqui. De 2002 para cá, quando teve o primeiro grande evento na cidade, o Otaku no Matsuri (que por sinal completa 10 anos de existência este ano) muito tempo passou e posso dizer que a cultura cosplay em Belém cresceu bastante, mas meio que deu uma paradinha há uns quatro anos atrás. Isso porque o número de cosplayers nos eventos era bem maior até 2007, tanto é que tinha até fila para se apresentar no palco! Hoje esse número é um pouco menor, o que é até um pouco triste, já que a cultura cosplay cresce mais não só no país (que tem vários eventos por ano em todos os Estados brasileiros), mas no mundo inteiro, o que pode ser percebido pelo aumento das pessoas que praticam o cosplay, bem como aumento de eventos e concursos grandes só de cosplay. Então por hora, diria que a cultura cosplay aqui em Belém anda um pouco preguiçosa, precisando de um gás para alavancar!

Foto: Inácio Borges

Jornaleco: Dá pra viver das apresentações na nossa cidade, ou em Belém o cosplay é mais um hobby do que profissão?
Vivian: Eu sinceramente não acredito que dê para viver de cosplay em nenhum canto do país. Em Belém, muito menos. Primeiro porque aqui não existem grandes empresas dispostas a bancar o cosplayer como modelo visando uma publicidade mais efetiva, como acontece no exterior. A exemplo, uma cosplayer norte-americana que admiro muito, a Pikminlink, é atualmente cosplayer-modelo oficial da Nintendo de lá. Segundo, porque aqui é muito mais caro fazer cosplay que em países como EUA, Japão e demais da Europa, a começar pela falta da variedade de materiais, coisa que nós, brasileiros, temos que acabar importando pela internet.Terceiro, cosplay é algo muito trabalhoso de fazer, por mais que fosse pago, teria minhas dúvidas se o trabalho compensaria o preço pago aqui no Brasil, onde vários profissionais já não recebem o que deveriam. No final, para mim (e para muita gente que conheço) cosplay ainda é pura diversão e genuína expressão cultural mesmo: fazer sem esperar ganhar dinheiro em troca, somente pelo amor a arte.

Jornaleco: Ser cosplay nada mais é do que fazer uma reverencia a obras da cultura pop. Como que é lidar com pessoas que não entendem isso?
Vivian: Às vezes é engraçado, às vezes é chatinho, depende muito da situação. Eu já passei muito mais por situações engraçadas, como por exemplo, pegar avião vestida de cosplay. Estava com uns amigos em um evento de Fortaleza, só que saímos de lá muito tarde, tendo que ir direto para o aeroporto para não perder o vôo. Como em Fortaleza o cosplay é bem conhecido porque o governo apóia um grande evento de lá, muita gente já sabia o que era e conversava, brincava com a gente. No entanto, não fiquei ilesa das situações chatas também. No meio acadêmico e profissional, por exemplo, alguns colegas me olhavam como "alienada", meio maluca ou até mesmo infantil por causa do cosplay. Admito que não é nada legal, contudo, o melhor a fazer nessas horas é ignorar ou mudar de assunto, afinal, hobby é hobby e cada um tem o seu. O meu pode não agradar a muitos, mas os de muitos também não me agradam. É uma questão pessoal, que deve apenas ser respeitada. E como até hoje ninguém nunca me faltou com respeito por causa do cosplay, tá tudo bem.

Foto: Clarisse Campelo
Jornaleco: Como que é a produção? Algumas roupas e assessórios são bem caros. É possível viver essa cultura de maneira efetiva e barata? 
Vivian: Essa questão do caro (que por sinal é geralmente bem destacada em entrevistas) é relativa. Tem cosplay que pode sair caro mesmo, mas tem cosplay que pode sair bem barato. Uma forma de não gastar muito com cosplay é também fazer as coisas por si mesmo: costurar, construir acessórios, cenários, armaduras. Tudo isso ajuda muito a economizar nas despesas. Por sinal, depois de tanto tempo fazendo cosplay descobri que o que sai mais caro é comprar tecidos e pagar costureira. Eu ainda não sei costurar, por isso gasto muito com costureira. No entanto, como elas costuram muito bem (e costurar não é um trabalho fácil, diga-se de passagem), pago os valores sem problema nenhum. No final, depende da roupa, das habilidades (o que eu domino eu mesma faço, o que eu não domino eu pago), criatividade, amor pelo personagem e do quanto você está disposto a pagar para que tudo fique perfeito. E quando digo pagar, não me refiro nem apenas ao dinheiro, pois, acima de qualquer outro gasto, cosplay toma muito tempo: planejar, pesquisar, procurar, confeccionar. Porque você faz tudo: de roupa a maquiagem, penteado de cabelo, até edição do áudio ou vídeo de uma apresentação. Tarefas que num teatro, por exemplo, seriam divididas com uma equipe. Enfim, requer muito tempo e dedicação. E tempo, diferente de dinheiro, não volta. Mesmo assim, um resultado final satisfatório sempre supera todas as outras coisas. A felicidade de ver todo um trabalho ali, pronto e como você sonhou é indescritível. 

Jornaleco: Aqui em Belém tem lojas especializadas ou vocês tem que procurar tudo fora?
Vivian: De cosplay? Que eu saiba, não. Existem as lojas de tecidos, armarinhos e demais materiais, que você vai de uma em uma coletando o que vai precisar para confeccionar um cosplay. Agora, loja que venda cosplay já pronto, não conheço. O que acontece são outros cosplayers trocarem ou venderem as roupas entre si em comunidades, o que acontece muito. Também tem gente que trabalha sob encomendas, mas a maioria é de loja virtual, não há loja física. E os itens que não tem aqui no Brasil por um preço barato, como lentes, perucas e etc., todo mundo compra do exterior.

Foto: Helber Esquerdo
Jornaleco: Qual é a dica pra quem quer ser cosplay? Quais as referencias de filmes, séries de TV, livros, animações e/ ou lojas que você dá?
Vivian: Bom, a dica é começar aos poucos, não tente arrumar muito trabalho para uma primeira vez. Escolha algo simples, porque a experiência vem com o tempo. Veja, leia e seja fã de tudo do seu personagem preferido, porque cosplay é isso: representar um personagem por quem você tem grande carinho. Também procure tutoriais na internet, ela está aí para ser aproveitada e nela tem de tudo, até aquilo que você acha que não tem. 

Vote em Vivian no Cosplay Idol do Otaku House e curta sua fanpage no facebook para saber mais sobre essa cosplayer paraense.

Um comentário:

  1. adorei a entrevista!! Quando era mais nova, costumava ir nos EIRPGs (acho que fui só uma vez num encontro de animes...), mas os cosplays eram ótimos também ;D

    http://theredlilshoes.blogspot.com.br/

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