terça-feira, 18 de outubro de 2011

Tem paraense saltando para Guadalajara: Entrevista com Rui Marinho

Foto: Satiro Sodre/ CBDA

O garoto que começou saltando sobre serragens na Terra Firme, é uma das promessas do Saltos Ornamentais do Brasil no Pan de Guadalajara.
Com 24 anos, Rui Marinho tem como principais conquistas o Vice-campeonato Sul-americano na Colômbia, a Medalha de Bronze no Circuito Mundial no Canadá, e o Campeonato Brasileiro, todos em 2009.
Em um bate-papo descontraído Rui contou um pouco de sua carreira e falou de suas expectativas para os seus primeiros jogos Pan americanos.


Deborah - Há quanto tempo você pratica o Salto Ornamental?
Rui - Há oito anos. Mas eu  comecei pulando na serragem, antigamente havia muito disso na Terra-firme. E eu me destacava, entao resolvi fazer saltos.

Deborah - Como assim pular serragem? Aquela serragem de madeira? É isso mesmo?
Rui - Sim. Quando eu estiver ai (em Belém) vou te convidar a ir em uma serragem (risos).

Deborah - Eu vou. Só pra ver como que é (risos). E como você passou da serragem pro Salto Ornamental?
Rui - Convite  de um amigo que já fazia, mais fui só pra tomar banho de piscina (risos). Tudo deu certo e hoje eu to na seleção.

Deborah -  Pelo esporte que lugares você já conheceu?
Rui - Muitos lugares. Já disputei na Itália, Estados Unidos, Canadá, Chile, Colômbia, China, Sérvia e agora o México.

Deborah -  Quando você foi classificado para o Pan, você disse que a sua meta para 2011 estava cumprida. Mas você conseguiu chegar na forma física desejada? Com é o seu treinamento?
Rui - Treino sete horas por dia, e o principal objetivo desse ano é realmente o Pan. Nós nunca estamos preparados, sempre temos um limite a ser alcançado, acredito que ainda falta muito pro limite, mas estou bem concentrado isso e o mais importante.

Deborah - Em julho você e o Hugo Parisi foram eliminados da plataforma sincronizada em Xangai no Mundial de Desportos Aquáticos. Agora na classificação pro Pan, vocês dois tiveram pontuações bem acima do índice estipulado pela Confederação Brasileira. Como você vê isso? São dois extremos do seu desempenho em tão pouco tempo.
Rui - Se nos fizermos a mesma pontuação acredito que pode sair medalha. O Pan tem menos atleta, e  é mais fraco. Vou torcer pra que tudo de certo.


Deborah - Qual a tua expectativa pro Pan? E a da sua familia? Ela acompanha o seu treinamento e campeonatos?
Rui - A gente está com objetivo de medalha no sincronizado. A família não acompanha por que eu moro aqui em Brasilia, mas sempre que sai na TV ou  jornal eles acompanham.


Rui mora e treina em Brasilia, e disputará as provas nos dias 28 e 30 de outubro, no individual e na plataforma sincronizada com Hugo Parisi em Guadalajara.
Mais informações sobre ele e outros atletas dos Saltos Ornamentais da Seleção Brasileira: http://www.cbda.org.br/esporte/saltos-ornamentais

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Programa Conectado


Trabalho da disciplina Introdução ao Radio jornalismo da UFPA.
Foi feita uma pesquisa em campo com uma Rádio Comunitária de Belém, a rádio escolhida foi a Erê FM. Conhecidos rotina, publico e alcance da mesma, foi produzido um piloto de um programa educativo, sendo que ele deveria ser dinâmico e contar com a participação do publico.
Trabalho realizado com Brunella Velloso, Camille Nascimento e Julieth Corrêa, orientação Professora Luciana Miranda.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O Brasil dos "extremos" em Bienal na Bélgica

By Luiz Braga
A 23a Bienal Europalia Arts Festival, um dos principais eventos europeus no campo das artes, terá em 2011 o Brasil como país homenageado. São 470 eventos, 300 atrações de música, dança, teatro, circo, artes e eventos de literatura e cinema em mais de 200 espaços culturais da Bélgica e países vizinhos. Estima-se que ultrapasse os 2 milhões de visitantes. Serão 1.700 obras de arte brasileira que vão integrar 13 exposições que irão ocorrer de 04 de outubro de 2011 até 15 de janeiro de 2012. 


O núcleo de Fotografia Contemporânea Brasileira terá o título “Extremos”, curado pelo paraense Guy Veloso e pela paulista Rosely Nakagawa, mostrará em três galerias do Museu Bozar, em Bruxelas, “um país de dimensões continentais, onde opulência e pobreza convivem lado a lado, e os opostos são unidos por um só nome, bandeira e língua”. Retratando e interpretando este universo tão diverso que é o Brasil. 


Os fotógrafos convidados a integrar a mostra são: Adenor GondimAnderson SchneiderAndré CyprianoAndre VieiraCarlos MoreiraCássio VasconcellosClaudia AndujarCristiano MascaroGustavo LacerdaJosé BassitMestre Julio SantosLuiz BragaMaureen Bisilliat, Paula SampaioPedro LoboRicardo LabastierThomaz Farkas (em memória), Tiago Santana e Walter Firmo.

Segundo o curador e também fotógrafo Guy Veloso (que expôs recentemente na XXIX Bienal de SP), "Extremos traz um país divisado pelos contrastes, mas sem fronteiras de criação; investiga a própria atualidade, exercendo leituras de si e do mundo”. 


Twitter: @europalia / Sites: www.europalia.be e www.bozar.be 

Texto: Deborah Cabral

domingo, 28 de agosto de 2011

Guy Veloso está no “III Festival Internacional de Fotografia de Paraná-Entre Ríos”

Com a direção do fotógrafo Eduardo Segura, o “III Festival Internacional de Fotografia de Paraná”, se realizará entre 17 e 25 de setembro de 2011 e contará com obras de fotógrafos da República Dominicana, México, Venezuela, Panamá, Cuba, Espanha, Brasil, Argentina entre outros. O paraense Guy Veloso é o único brasileiro a participar do evento como expositor.

Além das mostras, serão realizadas palestras, debates e aulas destinadas a fotógrafos, artistas e ao público em geral. O Festival foi criado em 2007 pelo fotógrafo e agitador cultural argentino Eduardo Segura, diretor da “Escola da Imagem de Entre Rios”, e é realizado a cada dois anos.

Guy Veloso é um fotógrafo premiado e reconhecido por seu trabalho com a religiosidade popular brasileira. Já teve seu trabalho exibido em vários países e com o recorte inédito “Penitentes: dos Ritos de Sangue à Fascinação do Fim do Mundo”, pesquisa iniciada em 2002, curada por Rosely Nakagawa, foi convidado
para a 29ª Bienal de São Paulo em 2010.

Em 1999 lançou o livro “Via Láctea”, já na 6ª edição. Participou em 2011 da mostra “Geração 00 – A Nova Fotografia Brasileira" curada por Eder Chiodetto. Possui obras nas coleções Joaquim Paiva/MAM-RJ; Pirelli/MASP e MAM-SP.

Site do fotógrafo: www.guyveloso.com. Blog: http://guyveloso.wordpress.com/

Texto: Deborah Cabral

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Comunicação e tecnologias, convergências da década de 80 na Faculdade de Comunicação da UFPA

Na década de 80, os alunos do curso de comunicação do Brasil se deparavam com uma realidade: a informatização da imprensa. Jornalistas influenciados pela onda americana de informatização trouxeram para o Brasil a discussão sobre como seria o futuro com as novas tecnologias. 

Fotolitagem, máquina de escrever, filme analógico, borracha, papel são termos que ou desconhecemos ou raramente utilizamos, mas que nessa década eram as ferramentas que os jornalistas e publicitários utilizavam para trabalhar.

Falar de computadores nessa época era um papo futurista. Ausência de papel, escrever em uma máquina e ver seu texto aparecer num televisor, ter a total liberdade de construir o texto apenas operando algumas teclas, de maneira limpa. Isso provocou um choque cultural tão forte que alguns jornalistas pensaram em desistir da profissão, hoje se pensa por outros motivos, como a queda do diploma, por exemplo.

E se nas grandes imprensas do Brasil as máquinas, mas especificamente os computadores, estavam causando esse furor por serem as novidades, imagine nas universidades. Nesse período, na Universidade Federal do Pará, em Belém, o furor do novo convergia com relações políticas, de comportamento, e de experimentações.

Em entrevista com Mariano Klautau Filho, fotógrafo, e Mauro Lima, diretor de publicidade da SECOM, buscou-se compreender que percurso foi aquele em que se construiu um curso de comunicação da UFPA na década de 80, e o que era fazer comunicação naquela época. 
Mauro Lima

O curso em termos de novas tecnologias não tinha nada, as ferramentas eram as mesmas para a produção de textos, para a diagramação, “a gente chegou no curso e não tinha nada, o único laboratório que existia lá montado, estruturado minimamente, ela o laboratório de fotografia”, conta Mariano.

O glamour de ser jornalista nem existia, mas mesmo assim a comunicação se fazia, mesmo com dificuldades, nas tentativas e nas experiências.
Experiência é a palavra que rendeu aos alunos de comunicação da UFPA da década de 80 muitas histórias para contar, mas foi a busca por melhorias no curso que fez com que esses alunos se destacassem.

“O meu partido era o curso”, “eu costumava dizer que eu não fazia jornalismo, eu dizia que eu fazia comunicação, porque eu me sentia mais vontade em um campo mais aberto”, “a comunicação agrupava os malucos totais, e eu estava me sentido super bem, as palavras de Mariano, são claras ao dizer que em uma época de engajamento político dos estudantes, a sua luta era por melhores condições na graduação.

 A falta de equipamentos incomodava os alunos, o jovem fotografo e sua turma se sentiam inquietos, tinham que fazer algo, e fizeram. “Na verdade a gente ia a luta mesmo, a gente começou a fazer também algumas coisas na parte de vídeo tudo na raça, a gente não tinha nada”, conta Mauro para o qual participar de um movimento no curso e para a melhoria do curso, foi o mais marcante 

Ele afirma que depois do contato que tiveram com os estudantes da Escola de Comunicações e Artes da USP eles perceberam como deveriam fazer seus protestos e manifestações. O bom humor, a critica, a ironia e a linguagem teatral deram vozes as indignações dos alunos.

É nessa época que surge a Gestão Trampolim do Centro Acadêmico de Comunicação Social da UFPA, essa Gestão do CACO ficou marcada por ter uma abordagem tresloucada, tinha uma nova forma de fazer política. A influência vinha de todos os cantos, segundo Mauro “as turmas especificas do curso eram muito pequenas mesmo”, os alunos assistiam aulas em turmas de outros cursos, “as turmas eram abertas, e ai eu tive contato com pessoas de direito e de outros cursos”, conta Mariano.

Mariano Klautau Filho
Fazia-se política e fazia-se comunicação, os fazines e jornais circulavam. Textos escritos a mão, datilografados, ou recortes de revistas tornavam-se manifestações. Com edições e técnicas limitadas, mesmo assim se produzia. Como no caso a polemica “Edição do Criolo Doido” do Boca Livre, que falava de maneira aberta sobre “Sexo, drogas e Rock and Rool” dentro da Universidade, e ainda continha uma entrevista exclusiva com Milton Nascimento. O grupo foi acusado de racista pelo nome dado a edição, e também foram chamados de anarquistas sem ao menos saberem o que significava ser anarquista.

A comunicação se fazia presente naquela época, era feita por alunos inquietos que mesmo com poucos meios conseguiam fazê-la. O estudante de comunicação da década de 80 era ativo, através de suas lutas conseguiu que verbas para os laboratórios fossem garantidas.

Mas hoje ainda há porque lutar, na era da informação, a mobilização nas redes sociais acontece de maneira avassaladora. “O campo da comunicação naquele momento servia pra você descobrir o que você queria fazer, e como o é um campo muito amplo, ele te dá muitas ferramentas. No momento em que você entrasse no curso era você que tinha que descobrir o que você queria fazer ali. É um pouco o que hoje nós vivemos, a mídia, a informação em rede, as artes, tá tudo junto, não que seja um bolo só, mas tá tudo interligado.” 

Hoje o estudante de comunicação do mundo contemporâneo deve ser esse individuo que viu no passado o poder que sua voz tem e aliar esse poder as novas tecnologias para que assim o movimento de inquietação se torne de fato coletivo.

Texto: Deborah Cabral e Mara Tavares
Fotos: Mara Tavares