O Jornaleco, este meu antigo blog do Blogspot mudou, deixará de existir com sua ideia inicial de produzir essencialmente noticias e textos sobre assuntos que me interessam em estilo jornalistico para a web.
Flutuando entre os diversos assuntos e não se limitando ao jornal. Textos, ensaios, videos, entrevistas, links flutuantes como o pensamento que viaja.
As vezes da vontade de flutuar entre diversos assuntos, conversas, pessoas e situações. E nada melhor do que o Gato, essa criatura enigmática, para fazer esse passeio. Pelos seus olhos uma visão do alto, mas de pertinho. Alguns posts do Jornaleco irão flutuarpelo Gato, porque mudamos e permanecemos ao mesmo tempo.
O Prêmio Itaú-Unicef que aponta novos caminhos para tornar realidade o acesso à educação
integral das crianças e adolescentes inscreve para a sua 10ª edição até
sexta-feira (31).
Ele
identifica e premia os bons projetos socioeducativos, ou seja, certifica a
qualidade dos serviços. Com isso, organizações que desenvolvem projetos
socioeducativos fundamentais para suas comunidades e que são contempladas, têm
seus esforços reconhecidos e suas ações servem de exemplo para outras
organizações, além de favorecer captação de recursos e a adesão de novos
parceiros.
Nesta edição, todas as organizações que inscreverem seus
projetos no Prêmio receberão duas publicações sobre Educação Integral, e os
gestores e educadores serão convidados a participar de processos de formação
presenciais e a distância. Além disso, os projetos vencedores recebemprêmios em dinheiro.
Podem
ser inscritos projetos que desenvolvem ações socioeducativas, de atendimento
direto a crianças, adolescentes e jovens, planejados e executados por
organizações da sociedade civil, sem fins lucrativos, constituídas e com sede
no território nacional.
O
coletivo independente de cinema “Quadro a Quadro”, lança na noite dessa
quarta-feira (22), no Centro Cultural Sesc Boulevard, dois curtas-metragens
inéditos. “Espelho e Silêncio" de Vince Souza e "Fotodramas" de
Tiago Freitas serão os destaques, haverá, ainda, a exibição de outras três
produções anteriores do grupo, seguidas de um bate-papo com o público. A
programação tem inicio às 19h, com entrada franca.
O
grupo surgiu em outubro de 2012, e reuniu pessoas que tem como uma paixão em
comum o cinema. O objetivo do “Quadro a Quadro” não é só o de apreciar obras
cinematográficas, mas de produzir seu próprio conteúdo, além de desenvolver a
prática e a reflexão em torno do cinema independente na Amazônia.
Desde
então, Rodolfo Mendonça, Rafael Samora, Raquel Minervino, Tiago Freitas, Cássio
França, Vince Souza e Marcelo Tavares uniram esforços para a realização e
lançamento das três primeiras produções do Quadro a Quadro, “Do Amor”, “Em” e
“Entre Portas”.
Cena de 'Em', de Raquel Minervino
Segundo
Vince Souza, que lança o inédito “Espelho e Silêncio", a expectativa para
o evento é grande. “Dessa vez, além dos três primeiros trabalhos ainda vamos
lançar mais dois em um espaço diferente, no Sesc. Vai ser a primeira sessão do
Quadro a Quadro sem o Rodolfo, Raquel e Rafael que estão no Rio de Janeiro mas
que não saíram do coletivo”, afirma.
O
jovem cineasta conta que a dinâmica será a mesma do lançamento dos trabalhos
anteriores, “apresentação, exibição dos curtas e logo em segunda um bate-papo
com o público”.
Além da formação
inicial, que permanece mesmo com integrantes em outro estado, o grupo recebeu
nos últimos meses o reforço de mais dois novos integrantes: Lériton Brito,
fotógrafo e vídeo maker, e Igor Gurjão, calouro de Cinema e Audiovisual da
UFPA.
Filmes que serão exibidos na Mostra:
'Do Amor', de Rodolfo Mendonça Sinopse: Sem alma cruel, cretino, descarado e filho
da mãe.
'Em', de Raquel Minervino Sinopse: Livremente inspirado no poema 'O Tempo',
de Max Martins, o curta fala do corte sútil, sorrateiro e abrupto que
vai sendo tecido a cada pão partilhado. Fala da faca que sempre esteve e sempre
estará ansiosa e pungente, por dilacerar os nós.
'Entre Portas', de Rafael Samora Sinopse: Pesadelos recorrentes atormentam a vida de
um jovem. Em uma noite, porém, a lucidez invade o seu sono.
'Espelho e Silêncio' de Vince
Souza Sinopse: Livremente inspirado no texto homônimo de Emanuel Meireles.
Sozinho em uma velha casa, um homem convive em um denso silêncio. Entre alguns
objetos, um espelho que lhe despertou algo levando a uma danação.
'Fotodramas' de Tiago Freitas
Sinopse: Retratos do cotidiano que apresentam uma proposta de construir e
desconstruir conceitos.
SERVIÇO: Coletivo
Quadro a Quadro lança curtas inéditos no Sesc Boulevard. Dia22
de maio, às19h, no SESC Boulevard (Boulevard Castilho França, 522/523 - em frente à Estação das Docas). Informações:(91) 3224-5305/5654 ; (91) 4005-9584 e sescboulevard@gmail.com .
Casal paraense vestido à moda européia. Foto: Fidanza (Acervo Guy Veloso)
Quem conhece Belém sabe o calor é uma de suas marcas registradas. Não temos estações definidas, e o nosso inverno(de dezembro a abril) é o período que mais chove nesta região.A população adapta as tendências da moda mundial ao calor local.
Se hoje a mulher e o homem contemporâneos de Belém podem ir trabalhar de bermuda (dependendo do emprego, claro), em 1897 as coisas eram bem diferentes. Nos jornais como A Folha do Norte e a Província do Pará que circulavam na época, encontrávamos anúncios de luvas, casacos, botas e outros artigos à moda europeia.
A Belém de antigamente era de temperatura um pouco mais amena, pois não tinha o asfalto em brasa cobrindo grande parte da cidade, e nem os enormes edifícios formando ilhas de calor, impedindo que o vento circule.
A polução mais abastada adquiria tecidos importados em lugares como a loja"Paris N'América”, em funcionamento até hoje.
A cultura europeia era importada e artificial, não condizia com a nossa realidade amazônida. Belém era quente e sem infraestrutura, grande parte sua população não tomava banho em locais privados, mas sim, nos espaços públicos, onde estavam localizados poços e fontes, além é claro do litoral banhado pelo rio Guamá.
Moda de rua na Belém atual - Foto: Deborah Cabral
O calor era grande, e a preocupação com a preservação da moral era maior ainda, tanto que Antônio Lemos, (intendente que administrou Belém no período de 1897 a 1910), consolidou a lei municipal de Códigos e Posturas, advertindo, por exemplo, que era “proibido chegar à janela ou porta em traje indecente ou em completa nudez, ou conservar-se em casa em tais condições, de maneira que seja visto pelos transeuntes" (Lei n° 158 de 17 de dezembro de 1897, artigo 128).
A vida privada já era de domínio publico. Mas essa não era a Belém de verdade. Historicamente aculturada e reprimida em virtude da colonização portuguesa, sua população, que é essencialmente cabocla e ribeirinha; após a Cabanagem (movimento popular que levou ao poder os que pediam a total independência da Província), valorizou sua herança cultural.
Hoje, o calor nos limita a alguns modelos de roupas, antigamente a nossa limitação era cultural. Estamos mais bem servidos de lojas que modificam tendências e criam peças especialmente pensadas para a nossa realidade climática. A tecnologia implementada mudou, desde a confecção de tecidos até à adaptação dos mesmos em corte e costura no ato de fazer a peça em questão.
Então, seja se refrescando sob o ar-condicionado, ou aproveitando o verão paraense, nós temos uma identidade própria, um jeito de falar, de agir, de pensar que está impresso nas estampas de nossas roupas e nas cores de nosso povo.
Aberta desde o dia 04 de
abril, a mostra fotográfica “Fronteira Norte – aproximando a Amazônia” já
contou com a visitação de mais de trezentas pessoas. Seu objetivo é compartilhar
com o público algumas histórias, contribuições e experiências do Acervo
Fotográfico da Primeira Comissão Demarcadora de Limites – PCDL. A visitação
segue até o dia 26 de maio, com entrada franca.
A Primeira Comissão
Demarcadora de limites do país foi encarregada por colocar limites nas
fronteiras do território nacional com os países do Peru, Colômbia, Venezuela,
Guiana, Suriname e Guiana Francesa.
As imagens que integram a
mostra abrangem as décadas de 1920 a 1970 e fazem parte do livro
"Fronteira Norte: demarcando e aproximando a Amazônia”. Além das
fotografias, o visitante encontrará equipamentos utilizados durante as missões
demarcatórias, contando parte da história construída pelos trabalhadores
responsáveis pelo desbravamento, demarcação e definição do território nacional.
Fotos: Acervo da Primeira Comissão Demarcadora de Limites
Segundo o
fotógrafo e pesquisador Patrick Pardini, “para a seleção das imagens que
compõem a mostra foi levada em conta a sua acuidade artística, uma qualidade propriamente fotográfica (fotografia
enquanto linguagem, meio de expressão)”.
Além da exposição, o visitante pode vir
conhecer o acervo permanente do Sesc Boulevard, composto máquinas e equipamento
fotográficos de distintas épocas, incluindo as câmeras artesanais
(“lambe-lambe”); e esculturas em diversos materiais como bronze, mármore e
biscuit, produzidas em sua maioria entre
os séculos XIX e XX.
SERVIÇO: Mostra Fotográfica
“Fronteira Norte - Aproximando a Amazônia".Visitação até 26 de maio, das 10 às 21h, no SESC Boulevard (Boulevard Castilho França, 522/523 - em frente
à Estação das Docas). Informações:
(91) 3224-5305/5654 ; (91) 4005-9584 e sescboulevard@gmail.com . Entrada franca
Detalhe da área do projeto revitalizada - Foto: Deborah Cabral
Desde
janeiro os trabalhos de revitalização, ampliação e adequação dos espaços usados
nos atendimentos dos projetos sociais do Lar de Maria foram intensificados. Extintores
de incêndio foram instalados, a parte elétrica foi avaliada, identificações
foram feitas, entre outras ações.
Felipe e José Fabrício - Foto: Deborah Cabral
A
satisfação foi grande quando dois jovens atendidos pelo Projeto Despertar para
a Cidadania que estavam por perto da Casa vieram por conta própria, participar
da construção de um espaço que é deles.
Durante
quatro dias Felipe Caynã (14 anos) e José Fabrício (13 anos) fizeram trabalhos
de pintura simples e com desenho geométrico em espaço dos projetos Educação para a Vida - PROEVI e Despertar para a Cidadania. “A gente estava trabalhando
e ao mesmo tempo aprendendo uma profissão”, conta Felipe.
Todos
os funcionários da Associação e atendidos do Projeto Despertar souberam da
participação voluntária deles. A notícia agregou mais jovens à ação, como Tarcísio
e Raíssa que quando souberam da novidade vieram ao Lar de Maria ajudar nos
trabalhos.
O
arte-educador Benedito Nelson conta que ficou muito feliz com a atitude dos
rapazes, pois sempre defendeu a participação voluntária dos atendidos nos
trabalhos manuais e artísticos da Casa. “Eles chegaram e disseram que queriam
ajudar, e ai a gente começou a trocar ideias sobre como ia ser feita essa
pintura”, lembra.
Em
sua fala observa-se a importância da construção coletiva na construção do Lar
de Maria e na formação social daqueles que passam pela Associação. “É sinal que
o trabalho esta sendo bem feito”, conclui.
O evento é uma realização em
conjunto do II Seminário sobre Pesquisas
em HIV e do I Seminário sobre gênero e raça na UFPA, que tem como objetivos
as trocas cientificas entre pesquisadores, estudantes e profissionais além de
discutir as temáticas de gênero, raça e politicas publicas.
Eleanor Palhano,
representante da Casa Brasil África iniciou sua fala sobre os projetos
desenvolvidos na UFPA para a raça negra, em especial a Casa Brasil África que realiza
estudos internacionais sobre a representação do negro na sociedade. Em sua apresentação
traçou um panorama do histórico da Casa e do continente africano. Ressaltou ainda,
a necessidade de que mais brasileiros comecem a viajar para os países da África,
o que não ocorre atualmente, pois segundo ela há um desinteresse pela história da civilização africana, gerando
com isso a reprodução de visões equivocadas sobre o negro. “Nós ainda não
superamos esse racismo, temos muito que fazer, e que estudar”, enfatiza.
Cristiane Gonçalves, da UNIFESP
falou dos estudos realizados sobre a temática “Juventude, gênero e raça”.
Através da apresentação de marcadores sociais que informam e constroem
representações de hierarquias e discriminação, ela mostrou os sistemas
classificatórios como resultados de produções culturais e históricas. Em sua
fala foi possível observar a necessidade de que as politicas públicas sejam
estruturadas a partir da compreensão complexa entre marcadores sociais e
diferença, e para que isso ocorra de maneira efetiva é fundamental que o conhecimento para a formulação dessas
politicas públicas venha a partir dos territórios e dos sujeitos envolvidos.
A psicóloga e professora de
psicologia Dorotea Cristo, participante do evento, ressaltou a importância de
um seminário como esse e da necessidade
de se trabalhar essas questões dentro da universidade. “Você falar de gênero,
de relações raciais, temas que a psicologia atualmente vem debatendo é muito
importante, pois ai se faz a relação de uma coisa com a outra. Você amplia e
não reduz o debate, esse é o diferencial”.
A programação do II
Seminário sobre Pesquisas em HIV e I Seminário sobre gênero e raça na UFPA vai
até amanhã (22), e inicia às 14h no auditório do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH.
“É nos velhos contos que o homem poderá reencontrar
sua verdadeira identidade, sua identidade mágica. Para isso, deverá sair de sua
cristalização intelectual e ultrapassar a concepção do símbolo que, embora energético,
não deixa de ser bastante abstrato." (Mario
Mercier, 1980)
Escritor brasileiro e jornalista,
Walcyr Monteiro alcançou reconhecimento no Brasil e no exterior pelo seu trabalho
e pesquisa em torno dos mitos e lendas da Amazônia. Publicou, financiando na
maioria das vezes com dinheiro próprio, diversos livros que trazem histórias do
imaginário popular.
Walcyr Monteiro - Foto: Deborah Cabral
Em seus estudos acerca do
imaginário amazônico revela que “muita
coisa da nossa cultura esta se perdendo”. Com a globalização, o fluxo de
pessoas e de informações na Amazônia vem modificando as relações sociais e o
modo de vida das pessoas, como no caso do Sul do Pará com a chegada dos Grandes
Projetos de exploração mineral. “O Sul do Pará esta totalmente descaracterizado
enquanto Amazônia”, afirma.
Sua primeira história, a
"Matinta Pereira do Acampamento", de maio de 1972, foi publicada no
extinto Jornal A Folha do Norte, porém, o seu livro "Visagens e Assombrações de Belém" só veio a ser publicado 16
anos depois, com apoio do então secretário de Cultura, Esporte e Turismo, Acyr
Castro. A editora era a Falângula.
O livro Visagens e Assombrações de Belém é a sua
publicação mais conhecida, no qual o autor nos
leva em uma viagem pelo imaginário
popular, através de histórias de visagens e assombrações, frutos de suas pesquisas
de campo pela cidade de Belém. Ele já foi base para produção do
roteiro de longas e curta-metragem, entre eles a animação Visagem(2006), do diretor paraense Roger Elarrat.
Seus livros são usados em escolas
e universidades publicas e particulares. Walcyr é reconhecido por muitos como
um simbolo da resistência cultural,
pois, busca através de seus livros registrar aquele saber popular que antes era transmitido em grande parte através da oralidade, preservando
assim um traço da nossa cultura que está se perdendo.
Obras publicadas
Visagens e Assombrações de Belém
Visagens, Assombrações e
Encantamentos da Amazônia (coleção)