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terça-feira, 14 de maio de 2013

No clima da Moda - A adaptação climática e social da moda num paralelo entre a Belém de 1897 e a de 2013



Casal paraense vestido à moda européia.
Foto: Fidanza (Acervo Guy Veloso)
Quem conhece Belém sabe o calor é uma de suas marcas registradas. Não temos estações definidas, e o nosso inverno (de dezembro a abril) é o período que mais chove nesta região. A população adapta as tendências da moda mundial ao calor local.

Se hoje a mulher e o homem contemporâneos de Belém podem ir trabalhar de bermuda (dependendo do emprego, claro), em 1897 as coisas eram bem diferentes. Nos jornais como A Folha do Norte e a Província do Pará que circulavam na época, encontrávamos anúncios de luvas, casacos, botas e outros artigos à moda europeia.

A Belém de antigamente era de temperatura um pouco mais amena, pois não tinha o asfalto em brasa cobrindo grande parte da cidade, e nem os enormes edifícios formando ilhas de calor, impedindo que o vento circule.

A polução mais abastada adquiria tecidos importados em lugares como a loja "Paris N'América”, em funcionamento até hoje.

A cultura europeia era importada e artificial, não condizia com a nossa realidade amazônida. Belém era quente e sem infraestrutura, grande parte sua população não tomava banho em locais privados, mas sim, nos espaços públicos, onde estavam localizados poços e fontes, além é claro do litoral banhado pelo rio Guamá.
Moda de rua na Belém atual - Foto: Deborah Cabral

O calor era grande, e a preocupação com a preservação da moral era maior ainda, tanto que Antônio Lemos, (intendente que administrou Belém no período de 1897 a 1910), consolidou a lei municipal de Códigos e Posturas, advertindo, por exemplo, que era “proibido chegar à janela ou porta em traje indecente ou em completa nudez, ou conservar-se em casa em tais condições, de maneira que seja visto pelos transeuntes" (Lei n° 158 de 17 de dezembro de 1897, artigo 128).

A vida privada já era de domínio publico. Mas essa não era a Belém de verdade. Historicamente aculturada e reprimida em virtude da colonização portuguesa, sua população, que é essencialmente cabocla e ribeirinha; após a Cabanagem (movimento popular que levou ao poder os que pediam a total independência da Província), valorizou sua herança cultural.

Hoje, o calor nos limita a alguns modelos de roupas, antigamente a nossa limitação era cultural. Estamos mais bem servidos de lojas que modificam tendências e criam peças especialmente pensadas para a nossa realidade climática. A tecnologia implementada mudou, desde a confecção de tecidos até à adaptação dos mesmos em corte e costura no ato de fazer a peça em questão.

Então, seja se refrescando sob o ar-condicionado, ou aproveitando o verão paraense, nós temos uma identidade própria, um jeito de falar, de agir, de pensar que está impresso nas estampas de nossas roupas e nas cores de nosso povo.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Mostra “Fronteira Norte” segue em visitação até maio no Sesc Boulevard


Aberta desde o dia 04 de abril, a mostra fotográfica “Fronteira Norte – aproximando a Amazônia” já contou com a visitação de mais de trezentas pessoas. Seu objetivo é compartilhar com o público algumas histórias, contribuições e experiências do Acervo Fotográfico da Primeira Comissão Demarcadora de Limites – PCDL. A visitação segue até o dia 26 de maio, com entrada franca.
A Primeira Comissão Demarcadora de limites do país foi encarregada por colocar limites nas fronteiras do território nacional com os países do Peru, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. 
As imagens que integram a mostra abrangem as décadas de 1920 a 1970 e fazem parte do livro "Fronteira Norte: demarcando e aproximando a Amazônia”. Além das fotografias, o visitante encontrará equipamentos utilizados durante as missões demarcatórias, contando parte da história construída pelos trabalhadores responsáveis pelo desbravamento, demarcação e definição do território nacional.
Fotos: Acervo da Primeira Comissão Demarcadora de Limites
Segundo o fotógrafo e pesquisador Patrick Pardini, “para a seleção das imagens que compõem a mostra foi levada em conta a sua acuidade artística, uma qualidade propriamente fotográfica (fotografia enquanto linguagem, meio de expressão)”.
            Além da exposição, o visitante pode vir conhecer o acervo permanente do Sesc Boulevard, composto máquinas e equipamento fotográficos de distintas épocas, incluindo as câmeras artesanais (“lambe-lambe”); e esculturas em diversos materiais como bronze, mármore e biscuit, produzidas em sua  maioria entre os séculos XIX e XX.

SERVIÇO: Mostra Fotográfica “Fronteira Norte - Aproximando a Amazônia". Visitação até 26 de maio, das 10 às 21h, no SESC Boulevard (Boulevard Castilho França, 522/523 - em frente à Estação das Docas). Informações: (91) 3224-5305/5654 ; (91) 4005-9584 e sescboulevard@gmail.com . Entrada franca

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Adolescentes do Projeto Despertar para a Cidadania ajudam na revitalização do espaço do projeto



Detalhe da área do projeto revitalizada - Foto: Deborah Cabral
Desde janeiro os trabalhos de revitalização, ampliação e adequação dos espaços usados nos atendimentos dos projetos sociais do Lar de Maria foram intensificados. Extintores de incêndio foram instalados, a parte elétrica foi avaliada, identificações foram feitas, entre outras ações.

Felipe e José Fabrício - Foto: Deborah Cabral
A satisfação foi grande quando dois jovens atendidos pelo Projeto Despertar para a Cidadania que estavam por perto da Casa vieram por conta própria, participar da construção de um espaço que é deles.

Durante quatro dias Felipe Caynã (14 anos) e José Fabrício (13 anos) fizeram trabalhos de pintura simples e com desenho geométrico em espaço dos projetos Educação para a Vida - PROEVI e Despertar para a Cidadania. “A gente estava trabalhando e ao mesmo tempo aprendendo uma profissão”, conta Felipe.

Todos os funcionários da Associação e atendidos do Projeto Despertar souberam da participação voluntária deles. A notícia agregou mais jovens à ação, como Tarcísio e Raíssa que quando souberam da novidade vieram ao Lar de Maria ajudar nos trabalhos.

O arte-educador Benedito Nelson conta que ficou muito feliz com a atitude dos rapazes, pois sempre defendeu a participação voluntária dos atendidos nos trabalhos manuais e artísticos da Casa. “Eles chegaram e disseram que queriam ajudar, e ai a gente começou a trocar ideias sobre como ia ser feita essa pintura”, lembra.

Em sua fala observa-se a importância da construção coletiva na construção do Lar de Maria e na formação social daqueles que passam pela Associação. “É sinal que o trabalho esta sendo bem feito”, conclui.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

A Inocência dos rios em exposição no Mangal das Garças

Foto: Sem titulo - © Deborah Cabral

Aberta desde o dia 13 de dezembro, no Armazém do Tempo do Mangal das Garças a mostra “A inocência dos rios” é uma realização do Governo do Estado por meio da Organização Pará 2000 e Secult com curadoria de Emanuel Franco.

Através de fotografias apresentadas em painéis espalhados por todo Armazém do Tempo, Alexandre Lima, Ana Morkazel, Débora Flor, Deborah Cabral, Elza Lima, Evna Moura, Jeyson Martins, Jonise Nunes, Paula Sampaio, Rafael Araújo, Tarso Sarraf e Valério Silveira apresentam cenas do cotidiano de crianças da região amazônica e de sua relação com a natureza. Além das imagens os visitantes também poderão ter contato com brinquedos criados por artesãos das comunidades ribeirinhas.

Exposição “A inocência dos rios”
Local: Armazém do Tempo no Mangal das Garças
Endereço: Passagem Carneiro da Rocha, s/n. Próximo ao Arsenal de Marinha. Cidade Velha,
Visitação: 13 de dezembro de 2012 até 30 de janeiro de 2013

Texto: Deborah Cabral

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Café Fotográfico da Fotoativa com Guy Veloso e Editor da Revista #ZUM do Instituto Moreira Salles

Foto: Guy Veloso

 O fotógrafo Guy Veloso abriu seu arquivo de mais de 10 mil imagens analógicas feitas nos últimos 10 anos sobre o tema “Penitentes” para uma edição inédita. O ensaio pode ser conferido na Revista #ZUM3, editada pelo Instituto Moreira Salles, com lançamento em Belém no dia 1º de dezembro, às 19h, no auditório do CCBEU. O evento acontece durante o último Café Fotográfico do ano que traz um bate-papo entre o fotógrafo e o editor da revista Thyago Nogueira.

Intitulado A fé na encruzilhada”, o ensaio trás tiras inteiras dos filmes slides produzidos por Veloso, que há uma década se dedica à documentação dos grupos de Penitentes (muitos deles secretos) que desfilam pela noite rezando em encruzilhadas e cemitérios, alguns deles, praticando rituais de autoflagelação.

Foto: Guy Veloso
Desde 2010 na coordenação do Café Fotográfico realizado pela Associação Fotoativa, a fotógrafa Irene Almeida ressalta a importância da parceria com o Instituto Moreira Salles para o lançamento em Belém da #ZUM3. “A revista se destaca por trazer uma leitura diferente do trabalho do paraense Guy Veloso, do qual pinçou as tiras de filme que aparece nesta edição. É uma revista que vem reunindo e criando conteúdos para a discussão e debate sobre e para a Fotografia”, afirma Irene. O ensaio de Veloso vem acompanhado de uma análise feita por José de Souza Martins, escritor e professor de sociologia da Universidade de São Paulo.

Guy Veloso nasceu em Belém (1969), é formado em Direito e tem fotos em acervos de museus e galerias nacionais e internacionais, como a Essex Collection of Art from Latin America, Colchester-Inglaterra; Centro Português de Fotografia, Porto-Portugal; Coleção Joaquim Paiva/MAM-RJ; MAM/SP e Pirelli-MASP. Em 2010, à convite dos curadores Moacir do Anjos e Agnaldo Farias participou da 29º Bienal de São Paulo, a histórica “Bienal da Retomada”.


CAFÉ FOTOGRÁFICO COM GUY VELOSO E THYAGO NOGUEIRA NO LANÇAMENTO DA REVISTA ZUM #3 EM BELÉM
Data: 01 de dezembro de 2012
Horário: 19h
Local: Auditório do CCBEU
Endereço: Travessa Padre Eutíquio, 1309 - Batista Campos.
Site do fotógrafo: http://www.guyveloso.com.br/
Entrada franca


Texto/Assessoria de Imprensa Guy Veloso: Deborah Cabral | debbarabelo@gmail.com | (91) 8832-0485 e(91) 9254-2347

domingo, 28 de outubro de 2012

Um olhar compartilhado sobre o Círio

Nazinha luminosa - Foto: Deborah Cabral

A Exposição #CirioBemnaFoto, trás um olhar diferenciado sobre a maior festa dos paraenses. Uma seleção de 30 imagens, marca a devoção à Nossa Senhora de uma maneira nunca vista, reunindo imagens que foram compartilhadas pelos devotos nas redes sociais Twitter e Instagram.

As fotos passaram por um processo seletivo, e foram escolhidas pelos fotógrafos Guy Veloso, Michel Pinho e Irene Almeida. A iniciativa é do Governo do Pará, através da Diretoria de Comunicação Institucional da Secretaria de Estado de Comunicação (Secom).


Nessa mostra, vemos um Círio de Nazaré no qual seus participantes não foram apenas expectadores, mas compartilharam e transmitiram suas impressões e sentimentos para o mundo inteiro através das redes sociais.

A exposição é um recorte de todos esses olhares, reunindo 30 imagens entre as quase 600 postadas usando a hashtag #CirioBemnaFoto. Segundo o historiador e fotografo Michel Pinho, que participou da seleção, “mais de 80% dos selecionados vão expor pela 1ª vez na ação do #ciriobemnafotoUm estímulo a produção fotográfica paraense.


Exposição “CirioBemnaFoto”
Abertura: 29 de outubro, às 20h.
Local: Boulervard das Feiras, na Estação das Docas.
Visitação: até o dia 11 de novembro, de 10h às 22h.
Entrada franca.

Texto: Deborah Cabral

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Muiraquicon coloca Belém na rota internacional dos quadrinhos


Cosplays, mangás, palestras, animes, exibição de filmes, esses serão apenas alguns dos motivos para participar do Muiraquicon, o 1ºFestival Internacional de Quadrinhos do Norte, que acontece em Belém no período de 24 a 27 de maio, no Boulevard Shopping.

A sua realização na capital paraense só vem comprovar a consolidação da Região Norte como o mais novo polo brasileiro de produção e eventos voltados para os quadrinhos, descentralizando aquele debate de qualidade que antes estava mais restrito a eventos como a GibiCon e a Feira Internacional de QuadrinhosFIQ, duas convenções de quadrinhos de sucesso no Brasil.

De forma gratuita o participante terá acesso a espaço que vão desde a exibição de filmes até a apresentação de trabalhos acadêmicos sobre HQs, isso é claro sem falar na presença de convidados de renome internacional como Sidney Gusman (SP) editor-chefe do Universo HQ, site referência sobre o tema no Brasil, e o paraense Joe Bennet, conhecido por seus trabalhos desenhando heróis na Marvel.

O paraense Joe Bennet é um dos convidados do evento - Foto: divulgação Muiraquicon

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Intervenção urbana reflete a ditadura militar em Belém 48 anos depois


Casa do Estudante CEUP - Foto: Michel Pinho

Há quarenta e oito anos a cidade Belém também sofria as consequências do golpe militar iniciado em Minas Gerais. O General Ramagem, Chefe do Comando Militar da Amazônia na época, ordenou a prisão de centenas de políticos, estudantes e trabalhadores a partir do dia primeiro de abril de 1964. Os presos foram levados para diversos pontos de Belém que hoje estão desativados ou tem finalidade completamente diferente, como é o exemplo da Casa das Onze Janelas, que atualmente é ponto turístico da capital.

Esse quadro de violência e censura caiu no esquecimento. Para alertar sobre o grave processo político estabelecido pós-64, o historiador e fotógrafo Michel Pinho interviu no espaço urbano, identificando com placas que imitam sinalização de trânsito os locais onde as prisões e torturas eram executadas. A escolha do 1º de abril, Dia da Mentira, não foi por brincadeira, ela é a data verdadeira do aniversário de 48 anos do golpe.

Sua intervenção foi um grito em protesto contra o terror dos assassinos e torturadores da ditadura em Belém, e buscou alertar para o caráter ditatorial e ilegal do regime implantado no país inteiro. “Não podemos e nem devemos esquecer, a democracia brasileira é uma conquista recente. Os crimes que os agentes do Estado cometeram como estupro, sequestros seguidos de morte e ocultação de cadáveres são hediondos. A anistia foi promulgada em 1979 pelo general Figueiredo e impede a prisão desses homens. Temos que rever essa decisão”, sentencia Michel.

Casa das Onze Janelas  - Foto: Michel Pinho
 Embora o registro fotográfico tenha se limitado apenas a lugares mais conhecidos como a Casa das Onze Janelas, Largo da Trindade, Casa do Estudante Universitário do Pará, além das avenidas Nazaré e José Malcher, os centros de tortura e prisão na capital paraense foram mais numerosos.

Até hoje não há a versão correta da história e da natureza ditatorial do regime de 1964, seu caráter ilegal e inconstitucional pouco são mencionados, e sua atuação em Belém pouco foi refletida ou questionada nesses 48 anos completados. “A intenção é motivar que os leitores da ação busquem informações, perguntem sobre o silêncio ensurdecedor sobre a ditadura em Belém do Pará.” finaliza o historiador.

A intervenção foi registrada e parte das fotografias pode ser vistas no endereço: http://www.michelpinho.com.br/territorio-do-medo-a-ditadura-militar-em-belem/

Texto: Deborah Cabral

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Falta de vagas em asilos públicos de Belém

“Nós aqui no Pará estamos carentes de casas geriátricas, hotéis geriátricos e pousadas geriátricas, em Belém só tem uma casa geriátrica em que o idoso é atendido com dignidade, que é o Pão de Santo Antônio, as outras são deficientes de tudo”, essas são as palavras de Clívia Afonso, 74 anos, paraense, que procurou no Brasil inteiro um lugar decente no qual pudesse viver tranquila com seu marido Amindas Afonso, que tem Mal de Alzheimer, e acabou por ficar em Belém a pedido dele. Mas sentiu a necessidade que há de Entidades de Acolhimento do Idoso.


No dia 1º de outubro foi o dia Internacional e Nacional do Idoso, mas em Belém não houve muito que comemorar nesse dia. O número de Instituições de Longa Permanência para Idosos do Estado é hoje insuficiente para a crescente demanda. Com listas de espera enormes e sem a qualidade de vida e a atenção necessária, muitas pessoas de idade não têm outra saída que não seja recorrer a instituições particulares. Belém conta hoje com três instituições de longa permanência para idosos (nome correto dos asilos), sendo eles o Pão de Santo Antônio, que é particular, o Abrigo Lar da Providência e a Casa Socorro Gabriel, ambas mantidas pelo Estado.

Segundo Valéria Sagica, assistente social do Pão de Santo Antônio, há três situações hoje de entrada na instituição: espontâneo, encaminhamento por orgãos públicos (Ministério Publico, hospitais) e a busca por familiares ou terceiros como vizinhos e amigos; em todos os casos, o idoso passa por uma avaliação clinica e psiquiátrica. Idosos com transtornos mentais ou psicológicos não são aceitos, pois mesmo se tratando de uma instituição particular, o Pão de Santo Antônio não tem estrutura para tratar de casos assim.

O artigo 50 parágrafo 16 do Estatuto do Idoso dá às Entidades de Atendimento ao Idoso o direito de “comunicar ao Ministério Público, para as providências cabíveis, a situação de abandono moral ou material por parte dos familiares”. Quando a família simplesmente “larga” aquele parente por não ter mais condições de cuidar dele ou por que o considera como um fardo, contribui assim para que se repitam hoje as mesmas cenas em hospitais e instituições públicas, com pessoas idosas em macas e cadeiras pelos corredores, maus tratos de funcionários, e escassez de comida e remédios.

Há muitas diferenças no tratamento oferecido ao idoso por uma Entidade pública e uma privada. No Pão de Santo Antônio, por exemplo, os idosos contam com uma boa estrutura não só de moradia, mas psicológica também. Eles pagam uma mensalidade com a própria aposentadoria, recebem visitas freqüentes de seus familiares, têm ao seu dispor uma equipe técnica composta por um clínico geral, professora de educação física, fisioterapeutas, nutricionista e terapeuta ocupacional. Alguns desses profissionais vêm de instituições que disponibilizam os materiais necessários às atividades dos idosos, como a Universidade da Amazônia.

O contrário dessa realidade pode ser vista em Instituições de Longa Permanência públicas, como o Abrigo Socorro Gabriel, localizado na Travessa Padre Eutíquio, no qual a entrevista foi negada. Em instituições como essa, o idoso só é acolhido se realmente não tiver alguém responsável e a estrutura oferecida é precária. Essa é a realidade dos idosos não só no Pará, mas do Brasil inteiro. Pessoas que já trabalharam tanto, já passaram muitas vezes por necessidades, batalharam para educar seus filhos, vivem no final de sua vida à mercê da caridade de uma minoria que se sensibiliza com tal situação.

Mais do que um lugar físico para serem acolhidos, os idosos precisam de afeto. Clívia Afonso, sentiu que no Pão de Santo Antonio o seu marido que tem Mal de Alzheimer obteve uma melhora, pois a comunicação e o bem estar refletiram na sua saúde, como dito por ela, “o ser humano não nasceu pra viver sozinho, aqui no amanhecer você já tem pra quem dar bom dia”.

Matéria feita com Camille Nascimento.
Fotos: Camille Nascimento

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O charme da manga

Belém com suas praças repletas de mangueiras nos proporciona muita sombra e oferecem ótimos lugares para passeios e caminhadas. A Praça Batista Campos é a melhor para isso. Mas ouve um dia em que meu passeio não foi tão bom assim...

Depois de dar uma volta na praça, sentei em um banco, embaixo de uma de suas inúmeras mangueiras. Um jovem rapaz corria pela praça, e sempre que passava por mim ficava me olhando. Como ele era muito bonito, pensei que o meu futuro namorado estava a caminho.

Estava ventando muito, com isso eu não parava de passar a mão no cabelo e rosto pra arrumar o penteado e aproveitar pra fazer um charme.

Deu certo. Ele vinha em minha direção, sorrindo pra mim! E agora? Será que ia perguntar o meu nome, me chamar pra tomar um sorvete ou uma água de coco?

Parou ao meu lado. Abaixou-se. Encostou a boca no meu ouvido. Arrepiei-me. Mas o que eu ouvi me deixou estática. Ele disse que meu rosto e cabelo estavam todos sujos de manga. MANGA! Abri a minha bolsa. Olhei-me no espelho. Estava ridícula. Levantei, então vi que havia sentado em uma manga muito madura que havia sujado o banco todo, e quando fui ajeitar o cabelo, fazendo charme tudo o que consegui foi melar meu rosto e cabelo inteirinhos com minhas mãos sujas de manga.

Dei um sorriso amarelo, um obrigada sem graça. Fui embora, morrendo de vergonha.

Nunca mais voltei à praça.

PS: Texto antigo que eu achei que valia a pena a historia.
PS2:A personagem não sou eu ok.