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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Intervenção urbana reflete a ditadura militar em Belém 48 anos depois


Casa do Estudante CEUP - Foto: Michel Pinho

Há quarenta e oito anos a cidade Belém também sofria as consequências do golpe militar iniciado em Minas Gerais. O General Ramagem, Chefe do Comando Militar da Amazônia na época, ordenou a prisão de centenas de políticos, estudantes e trabalhadores a partir do dia primeiro de abril de 1964. Os presos foram levados para diversos pontos de Belém que hoje estão desativados ou tem finalidade completamente diferente, como é o exemplo da Casa das Onze Janelas, que atualmente é ponto turístico da capital.

Esse quadro de violência e censura caiu no esquecimento. Para alertar sobre o grave processo político estabelecido pós-64, o historiador e fotógrafo Michel Pinho interviu no espaço urbano, identificando com placas que imitam sinalização de trânsito os locais onde as prisões e torturas eram executadas. A escolha do 1º de abril, Dia da Mentira, não foi por brincadeira, ela é a data verdadeira do aniversário de 48 anos do golpe.

Sua intervenção foi um grito em protesto contra o terror dos assassinos e torturadores da ditadura em Belém, e buscou alertar para o caráter ditatorial e ilegal do regime implantado no país inteiro. “Não podemos e nem devemos esquecer, a democracia brasileira é uma conquista recente. Os crimes que os agentes do Estado cometeram como estupro, sequestros seguidos de morte e ocultação de cadáveres são hediondos. A anistia foi promulgada em 1979 pelo general Figueiredo e impede a prisão desses homens. Temos que rever essa decisão”, sentencia Michel.

Casa das Onze Janelas  - Foto: Michel Pinho
 Embora o registro fotográfico tenha se limitado apenas a lugares mais conhecidos como a Casa das Onze Janelas, Largo da Trindade, Casa do Estudante Universitário do Pará, além das avenidas Nazaré e José Malcher, os centros de tortura e prisão na capital paraense foram mais numerosos.

Até hoje não há a versão correta da história e da natureza ditatorial do regime de 1964, seu caráter ilegal e inconstitucional pouco são mencionados, e sua atuação em Belém pouco foi refletida ou questionada nesses 48 anos completados. “A intenção é motivar que os leitores da ação busquem informações, perguntem sobre o silêncio ensurdecedor sobre a ditadura em Belém do Pará.” finaliza o historiador.

A intervenção foi registrada e parte das fotografias pode ser vistas no endereço: http://www.michelpinho.com.br/territorio-do-medo-a-ditadura-militar-em-belem/

Texto: Deborah Cabral

quarta-feira, 14 de março de 2012

Quando a arte esqueceu a fotografia: palestra na Galeria Theodoro Braga encerra exposição 100menos10


Os trinta Valérios. Valério Vieira, 1900
Fechando a programação da exposição “100menos10” o fotógrafo e historiador Michel Pinho fará a palestra “Diálogo com a ausência: a fotografia e a Semana de Arte Moderna”, no dia 16 de março, às 18h30 na Galeria Theodoro Braga, no CENTUR, com entrada franca.

Hoje no Brasil não há estudante de ensino médio que não tenha ouvido falar de Semana de Arte Moderna de 1922. Nomes como Tarsila de Amaral, Anita Malfatti e Oswald de Andrade são conhecidos na história da arte brasileira. Ele sua palestra Michel Pinho levantará questões como a origem do discurso que consagra São Paulo como voz da modernidade brasileira, o contexto em que se deu esse projeto e os motivos que levaram os organizadores da mostra a excluir de maneira categórica a fotografia da Semana de 22.

A fotografia e o cinema não participaram da Semana de Arte Moderna. As duas novas linguagens eram advindas de técnicas recentemente adotadas ao cotidiano das pessoas, e quase nunca eram admitidas como expressões da arte. 

Durante a palestra haverá a exibição de um trecho de um documentário produzido em 1972 (em comemoração aos cinquenta anos da semana) sobre o a revista Klaxon, porta voz do movimento a partir de maio de 1922 e que ao longo de dez meses foi veículo de comunicação dos artistas da Semana. “Penso que ao trazer essas produções visuais para o campo do debate sobre a arte, vamos rediscutindo esses mitos, essas tradições inventadas”, explica Michel Pinho.
 Após a palestra haverá uma performance da Cia Moderno de Dança, a apresentação do projeto de instalação Próteses Ilusórias, do designer de moda Marco Normando, com caráter modernista e desconstrutivista.

Diálogo com a ausência: a fotografia e a Semana de Arte Moderna, com Michel Pinho.
Data: 16 de março de 2012
Horário: 18h30.
Local: Galeria Theodoro Braga, no CENTUR (subsolo)
Endereço: Av. Gentil Bittencourt, 650, subsolo – Nazaré
Twitter: @100menos10
Entrada Franca