quarta-feira, 1 de junho de 2011

Comunicação e tecnologias, convergências da década de 80 na Faculdade de Comunicação da UFPA

Na década de 80, os alunos do curso de comunicação do Brasil se deparavam com uma realidade: a informatização da imprensa. Jornalistas influenciados pela onda americana de informatização trouxeram para o Brasil a discussão sobre como seria o futuro com as novas tecnologias. 

Fotolitagem, máquina de escrever, filme analógico, borracha, papel são termos que ou desconhecemos ou raramente utilizamos, mas que nessa década eram as ferramentas que os jornalistas e publicitários utilizavam para trabalhar.

Falar de computadores nessa época era um papo futurista. Ausência de papel, escrever em uma máquina e ver seu texto aparecer num televisor, ter a total liberdade de construir o texto apenas operando algumas teclas, de maneira limpa. Isso provocou um choque cultural tão forte que alguns jornalistas pensaram em desistir da profissão, hoje se pensa por outros motivos, como a queda do diploma, por exemplo.

E se nas grandes imprensas do Brasil as máquinas, mas especificamente os computadores, estavam causando esse furor por serem as novidades, imagine nas universidades. Nesse período, na Universidade Federal do Pará, em Belém, o furor do novo convergia com relações políticas, de comportamento, e de experimentações.

Em entrevista com Mariano Klautau Filho, fotógrafo, e Mauro Lima, diretor de publicidade da SECOM, buscou-se compreender que percurso foi aquele em que se construiu um curso de comunicação da UFPA na década de 80, e o que era fazer comunicação naquela época. 
Mauro Lima

O curso em termos de novas tecnologias não tinha nada, as ferramentas eram as mesmas para a produção de textos, para a diagramação, “a gente chegou no curso e não tinha nada, o único laboratório que existia lá montado, estruturado minimamente, ela o laboratório de fotografia”, conta Mariano.

O glamour de ser jornalista nem existia, mas mesmo assim a comunicação se fazia, mesmo com dificuldades, nas tentativas e nas experiências.
Experiência é a palavra que rendeu aos alunos de comunicação da UFPA da década de 80 muitas histórias para contar, mas foi a busca por melhorias no curso que fez com que esses alunos se destacassem.

“O meu partido era o curso”, “eu costumava dizer que eu não fazia jornalismo, eu dizia que eu fazia comunicação, porque eu me sentia mais vontade em um campo mais aberto”, “a comunicação agrupava os malucos totais, e eu estava me sentido super bem, as palavras de Mariano, são claras ao dizer que em uma época de engajamento político dos estudantes, a sua luta era por melhores condições na graduação.

 A falta de equipamentos incomodava os alunos, o jovem fotografo e sua turma se sentiam inquietos, tinham que fazer algo, e fizeram. “Na verdade a gente ia a luta mesmo, a gente começou a fazer também algumas coisas na parte de vídeo tudo na raça, a gente não tinha nada”, conta Mauro para o qual participar de um movimento no curso e para a melhoria do curso, foi o mais marcante 

Ele afirma que depois do contato que tiveram com os estudantes da Escola de Comunicações e Artes da USP eles perceberam como deveriam fazer seus protestos e manifestações. O bom humor, a critica, a ironia e a linguagem teatral deram vozes as indignações dos alunos.

É nessa época que surge a Gestão Trampolim do Centro Acadêmico de Comunicação Social da UFPA, essa Gestão do CACO ficou marcada por ter uma abordagem tresloucada, tinha uma nova forma de fazer política. A influência vinha de todos os cantos, segundo Mauro “as turmas especificas do curso eram muito pequenas mesmo”, os alunos assistiam aulas em turmas de outros cursos, “as turmas eram abertas, e ai eu tive contato com pessoas de direito e de outros cursos”, conta Mariano.

Mariano Klautau Filho
Fazia-se política e fazia-se comunicação, os fazines e jornais circulavam. Textos escritos a mão, datilografados, ou recortes de revistas tornavam-se manifestações. Com edições e técnicas limitadas, mesmo assim se produzia. Como no caso a polemica “Edição do Criolo Doido” do Boca Livre, que falava de maneira aberta sobre “Sexo, drogas e Rock and Rool” dentro da Universidade, e ainda continha uma entrevista exclusiva com Milton Nascimento. O grupo foi acusado de racista pelo nome dado a edição, e também foram chamados de anarquistas sem ao menos saberem o que significava ser anarquista.

A comunicação se fazia presente naquela época, era feita por alunos inquietos que mesmo com poucos meios conseguiam fazê-la. O estudante de comunicação da década de 80 era ativo, através de suas lutas conseguiu que verbas para os laboratórios fossem garantidas.

Mas hoje ainda há porque lutar, na era da informação, a mobilização nas redes sociais acontece de maneira avassaladora. “O campo da comunicação naquele momento servia pra você descobrir o que você queria fazer, e como o é um campo muito amplo, ele te dá muitas ferramentas. No momento em que você entrasse no curso era você que tinha que descobrir o que você queria fazer ali. É um pouco o que hoje nós vivemos, a mídia, a informação em rede, as artes, tá tudo junto, não que seja um bolo só, mas tá tudo interligado.” 

Hoje o estudante de comunicação do mundo contemporâneo deve ser esse individuo que viu no passado o poder que sua voz tem e aliar esse poder as novas tecnologias para que assim o movimento de inquietação se torne de fato coletivo.

Texto: Deborah Cabral e Mara Tavares
Fotos: Mara Tavares

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Jornada Fotográfica - Pinholeday Belém

No último domingo de abril de cada ano, milhares de pessoas em todo o mundo tiram o dia para fotografar com câmeras de orifício. 

O Worldwide Pinhole Photography Day, evento criado em 2001, pelo fotógrafo norte-americano Gregg Kemp, tem Belém como a cidade com o maior número de participantes, superando paises como a França, Canadá, Japão e Argentina. 

A jornada desse ano acontece dia 24, com 12 horas dedicadas a uma grande jornada fotográfica, que tem como tema “Atuacidade”, ou seja, um olhar atual sobre a cidade pela perspectiva da fotografia artesanal. 

A programação segue com as Oficinas de Pinhole, de 21 a 23 de abril, na sede da Fotoativa. Mais informações na sede da Fotoativa, Praça das Mercês, 19, tel: 3225-2754.

Visite o Blog da Fotoativa: http://www.fotoativa.blogger.com.br/

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Minhas fotos do Cordão do Peixe-boi do Arraial do Pavulagem

O Cordão do Peixe-boi  aconteceu no ultimo dia 27 de março, e foi  um dos eventos da programação de 2011 do Instituto Arraial do Pavulagem.

O Instituto Arraial do Pavulagem  atraves cortejo o Cordão do Peixe-Boi vem simbolizar  a preocupação com a floresta, com a degradação ambiental, e com a pesca predatória.

Vale a pena conferir, não só as imagens mas o trabalho Instituto que busca a valorização da  cultura popular e educação ambiental em Belém.


Clique na imagem para ver as fotos no Blog do Arraial do Saber

terça-feira, 5 de abril de 2011

Obra de Landi pode virar Patrimônio Histórico da Humanidade

Paralelo aos eventos do VII Colóquio Luso-Brasileiro de Historia da Arte que começou no dia 04 de abril, a II Reunião Internacional do Fórum de Landi tem como objetivo principal a criação do projeto que irá transformar a obra desse grande arquiteto em Patrimônio Histórico da Humanidade.

Landi é italiano, mas em 1953 veio para a Região Norte do Brasil, e Belém foi a cidade que mais incorporou seus traços arquitetônicos, onde se misturavam o europeu e o Amazônico.Ainda hoje é possível encontrar inúmeras fachadas, prédios e praças concebidas por ele, construídas de maneira que estivessem adaptadas a condição climática da Região Norte.

O VII Colóquio Luso-Brasileiro de História da Arte e a II Reunião Internacional do Fórum de Landi, tiveram inicio no dia 04 e vão até dia 08 de abril na Universidade Federal do Pará.

Mais informações no site: http://www.coloquio.ufpa.br/index.htm

terça-feira, 22 de março de 2011

Critica Cinematográfica - O Informante

Ficha Técnica
Título original: (The Insider)
Lançamento: 1999 (EUA)
Direção: Michael Mann
Elenco Principal: Al Pacino, Russell Crowe, Christopher Plummer, Diane Venora.
Duração: 160 min.
Gênero: Drama


O Informante é um filme original, ele mostra a coragem de dois homens que lutam contra os sistemas corporativos, tentando por os interesses sociais acima de seus interesses pessoais.

Instigado pelo jornalista Lowell Bergman (Al Pacino), o ex-executivo da indústria do tabaco Jeffrey Wigand (Russell Crowe), dá uma entrevista polemica ao programa jornalístico “60 minutos”, ele diz que os donos das empresas de tabaco não só sabiam que a nicotina viciava como também aplicavam aditivos químicos ao cigarro, para acentuar seu efeito, contradizendo o que esses executivos haviam afirmado anteriormente em júri.

A iniciativa de denunciar tais informações à população faz com que Wigand perca sua família (sua esposa vai embora com as filhas), sua casa, e sua liberdade, pois é vigiado pelos espiões da Brown & Williamson, a tal empresa contra a qual ele luta.

Mesmo com um acordo de fidelidade, que proibia Wigand de revelar algo sobre a manipulação das fórmulas que aumentavam a dependência nos fumantes, a sua culpa interior, as pressões da Brown & Williamson e o jornalista Bergman, que prometera proteger bem a sua fonte, fizeram com que ele revelasse tudo, na entrevista ao “60 minutos”.

Porem, a emissora americana CBS não transmitiu a entrevista, alegando que as consequências jurídicas poderiam ser fatais. A emissora estava à venda, e comprometer a sua imagem não seria bom, as empresas de cigarro detinham grande poder financeiro, e conseqüentemente político, sobre diversos segmentos da sociedade da época, ou seja, a CBS estava nas mãos da Brown & Williamson. A idéia da grandiosidade dos grupos empresariais é tão evidente que a Brown & Williamson chega ao ponto de comprar a CBS só para que a entrevista não fosse ao ar.

Muito bem construído, o filme trata de questões éticas e interesses pessoais, pois Wigand só decide revelar essas informações porque foi demitido da Brown & Williamson.

A ética também aparece presente na figura de Bergman, que não se rendeu a vontade dos manda-chuvas empresariais, chegando até mesmo a denunciar a CBS a outras emissoras, pois ela escondia uma entrevista de extrema importância.

Com personagens muito bem trabalhados e baseado em uma história real o filme “O Informante” ultrapassa a questão do jornalismo e da duvida de até que ponto se deve ir para mostrar a verdade, ele mostra como essa questão afeta uma vida humana, pois ao envolver família, amor, medo, imobilidade, raiva, segurança, ele ultrapassa o nível ético.

Com a direção assinada por Michael Mann, do sucesso Inimigos Públicos. Esse drama-suspense foi Indicado a sete Oscars, entre eles o de melhor diretor e melhor ator, sendo indicado também a cinco Globos de Ouro.
O filme conseguiu uma boa repercussão, Mann tem uma linha de trabalho bastante eficaz, com um tom documental e uma preocupação com o visual (o filme tem uma fotografia incrível!), não há como não se sufocar com seus personagens obsessivos.

O Informante é sem duvida um filme brilhante.